Destaque, Papo de Preta

O NEGRO NÃO VENDE? PANTERA NEGRA NOS DIZ QUE SIM!

2 de março de 2018

Há quase dois anos atrás eu fiz um trabalho que trazia como questionamento: O negro não vende? Muitos não entenderam o porque da pergunta mas durante o processo de pesquisas foi descoberto que a maioria dos publicitários acreditavam que o negro não vendia porque não éramos opção de desejo. Segundo a fala de um dos maiores publicitários em mil novecentos e bolinha, os brancos são sua maioria nas campanhas porque todos desejavam ser brancos e ter o que eles tinham. A partir do momento em que comecei a ler esse tipo de coisa entendi que eu estava em uma área totalmente racista. Em que acredita que um relógio no punho de um ator negro venderia menos em relação a um ator branco. Por esse motivo, criei fotos que faziam esse questionamento para o povo negro, queria que nós olhássemos aquelas imagens e nos incomodássemos, porque sim, nós vendemos, nós temos poder de compra e o filme Pantera Negra nos mostra isso.

A bilheteria do filme ultrapassou filmes como ‘’Mulher Maravilha e Toy Story 3” e já entrou para lista de 20ª maior arrecadação de todos os tempos no país. (EUA).

COMPROVADO! O negro tem poder sim para vender na mídia assim como nós temos o poder para comprar. A representatividade que um filme dessa grandeza nos trás não é algo individual, é mundial. E quando nos vemos representados compramos SIM.

TIAGO LEIFERT A REPRESENTATIVIDADE IMPORTA!

O filme Pantera Negra não nos trás apenas imagens de homens e mulheres negras dentro de um estereótipo concebido pela mídia, ao contrário, eles nos apresenta de várias formas como:

– A responsabilidade do homem negro perante seu povo e sua família;

-A união de povos, mesmo que cada tribo seja diferente;

– O poder que as mulheres têm sobre um reino;

– A aceitação de nossas raízes;

– A riqueza da África e o que ela seria hoje, se não tivesse sido colonizada;

– A percepção de como devemos deixar um legado aqui na terra;

– As mulheres aparecendo bem mais do que simples coadjuvantes;

– A beleza negra ao seu natural;

– A grandeza de nossos povos com a espiritualidade;

– O entendimento de que mulheres são guerreiras e não apenas princesas;

– A quantidade de meninos negros que perdem seus pais.

Enfim… eu ficaria anos te contando todas as coisas que me representaram nesse filme, mas prefiro que você assista e veja com os seus próprios olhos. Não importa que mãos escreveram essa história, o que importa é que estamos ganhando visibilidade e força. Estamos mostrando ao mundo que acordamos e que se não nos sentimos representados não compramos. A ordem é simples: quanto mais visibilidade + aceitação interna e externa.

Não espero nada dessa geração de hoje, mas creio que essa ordem está vindo para nossas crianças e elas se sentirão  fortes em todos os lugares, terão mais consciência de nossas lutas. Não se preocupem com o opressor, cuidem apenas de quem é o oprimido.

Se quiserem entender melhor sobre o negro na publicidade, aqui esta uma entrevista que fiz na época do trabalho: https://goo.gl/WaAYYN

WAKANDA PRA SEMPRE!

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