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Ela tinha se doado mas doeu

18 de julho de 2018

Já faz um tempo que tenho observado o rosto dela quando se encara no espelho, é como se aquela imagem fosse irreal. Ela dá uma ajeitada no cabelo, se arruma de qualquer jeito e vai para o trabalho, o estojo de maquiagem dela está há dias ao lado de sua cama e por falar em cama, ali parece ser a casa dela. Não há convite que a faça sair de lá, a não ser que seja por obrigação. Parece que os dias estão mais lentos e que por algum motivo ela se sente engolida por uma angústia que parece não passar. Ela se doou tanto para aquilo dar certo mas acabou saindo ferida.

Ela está em uma maratona da Netflix, foi o único jeito que ela arrumou pra não pensar tanto em tudo. Em como foi parar onde está, em todas as vezes em que insistia pra fazer dar certo, e cara, como ela tentou.

Ela tentou de todas as formas, às vezes ficava durante minutos parada em frente ao celular esperando ele responder e ele, nada. Ela fazia de tudo pra dizer sim mas só ouvia não. Eram dois seres incompreendidos, duas almas escritas em línguas que ambos não sabiam ler. Ela se lembra dos momentos bons que tiveram e ao mesmo tempo vê como aquele tempo está distante agora.

Ela nunca foi uma pessoa muito romântica mas dessa vez era e muito, ela se doava 101% escrevia, cantava, criava, ligava, chamava, se auto convidava, mandava bom dia, boa tarde e se deixar, até textinho de madrugada. Ela surpreendia, e em cada dia era nítido que o amor dela transbordava. Ela odiava as brigas, eram desgastantes, ambos saem feridos e mesmo sabendo que iam voltar eram dias e mais dias sem se falar. Quanto mais machucada estava menos ela fazia.

Depois de um tempo ela começou a ter que cobrar coisas que deveriam ser naturais, ela pedia, brigava, cobrava, insistia, ficava brava e nada. Só vivia sobre as mesmas promessas de mudanças que nunca aconteceram. Ela se doou mas não recebeu.

Até que chegou na fase do silêncio, ela não liga, não cobra, não grita, não fala mas também não ama, não como antes. Quanto mais machucada menos ela chorava, menos ela se importava e menos ela reagia.

Ela deitou sobre o meu colo depois de um dia cansativo e só me disse que amar alguém é triste, só me disse que o amor nem sempre é significado de ficar até o fim e que o amor próprio tem que vir em primeiro lugar. O amor não acaba, o cansaço vem, o silêncio vem e depois os dois corpos se despedem e vão embora pra longe.

Quando olhei nos olhos dela entendi que às vezes ir embora também é um gesto de amor.

Conhece alguém que precisa ler isso? Envie pra ela!

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